GPChat, Google, Psicologia e o inferno Sartreano
Vi algumas pessoas falando sobre o GPChat estar sendo Psicólogo, inclusive melhor do que muitos Psicólogos, diziam algumas pessoas.
A inteligência artificial certamente tem tornado nossas vidas mais cômodas, algumas vezes mais divertidas, no entanto o preço que pagamos pode ser abusivo, em meus atendimentos clínicos percebo como a AI tem tirado nosso sono, nossa memória, nossas palavras.
O google sabe tudo, todo conhecimento que pode ser expresso em palavras estão na internet, diversas plataformas (pagas ou gratuitas): wikipedia, scielo, Lilacs, Pubmed (só para citar algumas)...
E eu vejo jovens que não conseguem ficar longe do celular, vejo jovens desconectados de si mesmos e das pessoas ao redor, ansiosos pelo que está por vir, assistindo vídeos de 30 depois de 15 depois de 5 segundos. Vídeos de 5 segundos!!! Um resumo do resumo do resumo e assim ao ∞
Lembro que meu professor de filosofia ficava 6 horas falando de um mesmo parágrafo de livro na faculdade e eu penso em como um vídeo de 5 segundos pode dizer algo, algo de verdadeiro ou profundo, algo de útil ou real ou que deva ser visto.
O GPChat não pode ser seu Psicólogo!
Seu Psicólogo não lida com o que você diz, ele lida principalmente com aquilo que você não diz!
Não são só suas palavras mas são, principalmente, seus silêncios que gritam na Psicoterapia, logo se o GPChat consegue trabalhar em cima do que é dito seu Psicólogo trabalha em cima do que não foi dito.
Parafraseando Saint-Exupéry em "O pequeno Principe": o essencial é inaudível aos ouvidos.
É outro sentido que percebe aquilo que não é dito, é outra lógica que rege e ouve o silêncio, que compreende
a falta.
Ouvi uma pessoa falando que havia lido um livro e feito uma auto análise e portanto não precisava de um
Psicólogo.
Você pode seguir por esse caminho certamente, no entanto, pode cair no abismo do mentir para si mesmo,
do enganar-se, do dizer apenas aquilo que quer ouvir ou ver o que permite ser visto.
Sartre nos deixou a lição de que "l'enfer c'est les autres" , no entanto não podemos chegar ao paraíso sem aprender a transitar pelo inferno, é a partir e através do outro que podemos construir o Nirvana em nós!
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